NOSSO ESPAÇO!

Em momentos de transtornos em que a sociedade brasileira passa o blog Nosso Espaço! vem trazer debates e críticas sobre atual conjuntura.

Através de artigos, reportagens e entrevistas; Vamos discutir: política, cultura, religião, educação e tudo que vier atingir nossa sociedade.

 

Nota: O Nosso entrevistado desta semana Prof. de História da Universidade Federal do Amazonas, Aloysio Nogueira, não pôde dá entrevista, pois o mesmo está com licença médica de seu trabalho, mas gentilmente enviou para a nossa equipe um artigo de sua autoria publicado no jornal "Em Tempo" em 2005, pois parece que foi escrito semana passada, infelizmente atual conjuntura continua a mesma de 4 anos atrás.

 

sábado 15 agosto 2009 08:20


As Táticas Políticas das Elites Locais

Aloysio Nogueira*

 

        Comento, neste artigo, algumas táticas políticas que as elites conservadoras locais utilizam para se manterem no poder, sobretudo no aparelho de Estado enquanto classes dirigentes.

Tais táticas, obviamente, correspondem à visão de história que têm. Visão que o conjunto da sociedade tem aceitado acriticamente, particularmente determinados políticos e partidos chamados de esquerda. Por isso, ao longo desses últimos vinte três anos, essa esquerda tem colaborado politicamente com as elites.

Nesse sentido, a adesão da esquerda às elites tem se dado mediante o denominado pragmatismo utilitarista ou por se encontrar desprovida de um instrumental teórico-metodológico capaz de lhe proporcionar uma análise crítica da realidade política internacional, nacional e local. Aliás, esta última talvez seja a hipótese mais provável para os procedimentos políticos da maioria das correntes de esquerda. As demais, com certeza estão subsumidas ao pragmatismo utilitarista.

Afinal, qual é a visão de história que condiciona as táticas políticas das elites locais? Para elas, a história, como realidade objetiva, é uma realização das elites. É uma história dos dirigentes. É uma história feita pelos heróis. O povo, neste caso, é apenas um coadjuvante temporário. Ou melhor, coadjuvante das elites nos momentos eleitorais, particularmente no dia da eleição quando se torna o eleitor por excelência. A política, desta maneira, é uma tarefa somente de quem está no parlamento ou no executivo. Não cabe ao povo fazer política. Nessa visão não há luta de classes. O que existe são apenas descontentamentos localizados de indivíduos ou de grupos, que podem ser “atendidos” mediante a política do favor, entre outras.

Assim, esta visão de história considera o povo um aglomerado de pessoas, disponível para ser arrebatado pelo discurso eloqüente do populista da hora.

Quanto às táticas políticas das elites conservadoras, destaco algumas:

1. - a de não denunciar as relações de exploração capitalista existentes na sociedade amazonense, sobretudo nas fábricas do Distrito Industrial. Sobre isto há um profundo silêncio. As considerações são dirigidas para a prorrogação do tempo de existência da ZFM. Na verdade, o que existe é uma renhida disputa entre os que procuram parecer o verdadeiro responsável por isto. Aliás, somente isto;

2. - a da ética na política como promoção pessoal. Os que adotam essa postura partem do pressuposto de que basta os homens públicos terem certa ética para que as mazelas desapareçam da sociedade. Ledo engano. O desemprego, a corrupção, a violência, a exploração, e tantas outras, originam-se, fundamentalmente, da maneira de como a sociedade produz e reproduz a sua existência; e

3. - a das divergências entre as elites. Ao longo desses anos, particularmente quando se aproximam as eleições, as “intrigas” entre as elites se acentuam.

Neste momento, aparentemente todos estão brigando contra todos com a proximidade das eleições de 2006.

Desde que o PT abdicou de seu papel de se constituir alternativa política de governo, as elites estão à vontade para “brigarem” entre si pelo Governo do Estado.

Essas táticas das elites estão dando certo desde 1982. Para elas, naturalmente.

 

Artigo publicado no jornal Amazonas Em Tempo do dia 17 de maio de 2005.

*Professor de História da Universidade Federal do Amazonas

 

 

sábado 22 agosto 2009 11:53


Faculdade de Medicina da UFAM em Crise

Blog de espacotw :Nosso Espaço!, Faculdade de Medicina da UFAM em Crise

O curso de medicina, o mais concorrido da Universidade Federal do Amazonas - UFAM, está por um fio de trancar suas portas para o próximo processo seletivo (ENEM), visto que não se encontra dentro dos requisitos exigidos pelo Ministério da Educação e Cultura – MEC.

A Faculdade de Medicina vem sofrendo há algum tempo essa terrível ameaça de se ver obrigada a cerrar suas portas. “Os problemas já vem acontecendo há algum tempo”, afirma Michele Cristina, Diretora Executiva do Diretório Acadêmico de Medicina (DAM). “A gestão passada consertou apenas uma porta de vidro” continua a acadêmica, referindo-se a administração do ex-Reitor Hindembergue Frota. Em seguida, relembrou o momento em que tiveram de ficar esperando das 14 as 19 h para serem atendidos pelo Reitor, quando ele assinou, perante os alunos, uma carta se comprometendo a atender as reivindicações apresentadas pelos discentes. Na verdade, o Reitor não cumpriu os compromissos acordados. “A Reitora, Márcia Perales, até agora vem demonstrando boa vontade de resolver os problemas da Faculdade, visto que, com seu pouco tempo de gestão, já veio aqui duas vezes”, afirma Michele.

Enquanto o Colegiado do Curso está aprovando aos poucos a grade curricular, que não sofria alterações desde 1985, as descobertas em medicina têm avançado bastante, acompanhando o campo da ciência em geral e seus novos métodos. Segundo o Diretor de Assuntos Nacionais e Internacionais do DAM, Vangelis Rebelo, “a falta de materiais didáticos, como data show e cadeiras, atrapalha muito o bom rendimento dos alunos nas aulas, já que a Faculdade tem apenas quatro salas de aulas, gerando superlotação para atender mais de 600 acadêmicos”. Além da grade curricular ultrapassada, os alunos passam por diversos transtornos diante das condições materiais precárias, a exemplo dos materiais dos laboratórios sucateados há mais de 10 anos. E, o que é muito grave, os problemas advindos com o quadro docente efetivo obrigado a agasalhar a figura contratual do professor substituto.

A acadêmica do 7° período, Renata Escher, denuncia: “As turmas estão super lotadas, prejudicando as aulas práticas, portanto, o aprendizado dos alunos”. A acadêmica não esconde sua indignação. Fala sobre a ineficiência do restaurante universitário (R.U.), que deveria vender os tickets para a obtenção do café da manhã às 7h. No entanto, os vendedores, geralmente, só chegam a partir das 07h30minh. Isto gera atraso nas aulas, contribuindo com a perda de conteúdo. Para que os alunos possam tomar o café na hora certa, são obrigados a comprá-lo nas tendas que ficam do lado de fora da universidade. Neste caso, o custo se eleva bastante. Enquanto o café na universidade custa R$0,30 (trinta centavos), nas tendas chega a custar R$3,00 (três reais). Às vezes é valido fazer esse esforço para não se atrasar nas aulas e não pegar falta, afirmam os alunos.

Quando a nossa equipe perguntou sobre o que o Diretório Central dos Estudantes – DCE/UFAM tem feito para ajudar os acadêmicos da faculdade? Michele afirmou com segurança: “eles só vieram aqui pra pedir votos e depois nunca mais apareceram”. E completa: “O movimento estudantil está esfacelado”. A nossa equipe tentou entrar em contato com alguns diretores do DCE, mas não obteve êxito.

Os alunos são os maiores prejudicados por esses graves problemas. Apesar das dificuldades, procuram se dedicar aos estudos com muita dedicação, lutando sempre para que a UFAM facilite a caminhada deles até a completa formação.

 O Governo Federal sabe que sairão também da UFAM os futuros médicos que trabalharão no Amazonas. Ano passado, a UFAM aceitou o REUNI, programa de expansão das Universidades Publicas Federais. Com isto, viria mais investimento. No entanto, o que se vê é que o curso de Medicina está agonizando exatamente por falta de investimento. Com a palavra o MEC.

Já está claro que com esses problemas a Universidade precisa reduzir o número de alunos na sala de aula. A UFAM precisa ganhar mais estrutura material e pessoal para poder receber mais alunos, a fim de que o acadêmico possa receber mais atenção em suas tarefas discentes. Esses problemas, uma vez resolvidos, podem resultar na formação de profissionais mais capacitados, para responder as exigências de uma sociedade moderna.

Senhor Diretor da Faculdade de Medicina Dirceu Ferreira, Magnífica Reitora Márcia Perales, Excelentíssimo Ministro da Educação Fernando Haddad e Excelentíssimo Presidente da Republica Luiz Inácio Lula da Silva, entregamos à consideração dos senhores a precária situação porque passa o Curso de Medicina de uma Universidade Pública Federal que completou recentemente um século, a UFAM.

Vimos que, em cem anos de existência, a UFAM está na iminência de perder o Curso de Medicina. Será que ainda não deu tempo de serem identificados e resolvidos certos problemas de uma Universidade que se pretende Pública, Popular, Democrática e Amazônica?  

Senhores, aqui se explanam apenas alguns problemas de um curso, mas nestas entrelinhas está presente à apreensão de algo grave que poderá ocorrer com a educação e a saúde de um povo sofrido - o amazonense caso os problemas da UFAM, que são muitos, não sejam equacionados.  

 

Texto: Tácius Fernandes

Reportagem: Tácius Fernandes e Williamis Vieira

 

domingo 23 agosto 2009 00:35



Abrir a barra
Fechar a barra

Precisa estar conectado para enviar uma mensagem para espacotw

Precisa estar conectado para adicionar espacotw para os seus amigos

 
Criar um blog