O curso de medicina, o mais
concorrido da Universidade Federal do Amazonas - UFAM, está por um
fio de trancar suas portas para o próximo processo seletivo (ENEM),
visto que não se encontra dentro dos requisitos exigidos pelo
Ministério da Educação e Cultura – MEC.
A Faculdade de Medicina vem
sofrendo há algum tempo essa terrível ameaça de se ver obrigada a
cerrar suas portas. “Os problemas já vem
acontecendo há algum tempo”, afirma Michele Cristina,
Diretora Executiva do Diretório Acadêmico de Medicina (DAM).
“A gestão passada
consertou apenas uma porta de vidro” continua a
acadêmica, referindo-se a administração do ex-Reitor Hindembergue
Frota. Em seguida, relembrou o momento em que tiveram de ficar
esperando das 14 as 19 h para serem atendidos pelo Reitor, quando
ele assinou, perante os alunos, uma carta se comprometendo a
atender as reivindicações apresentadas pelos discentes. Na verdade,
o Reitor não cumpriu os compromissos acordados. “A Reitora, Márcia Perales,
até agora vem demonstrando boa vontade de resolver os problemas da
Faculdade, visto que, com seu pouco tempo de gestão, já veio aqui
duas vezes”, afirma Michele.
Enquanto o Colegiado do Curso está
aprovando aos poucos a grade curricular, que não sofria alterações
desde 1985, as descobertas em medicina têm avançado bastante,
acompanhando o campo da ciência em geral e seus novos métodos.
Segundo o Diretor de Assuntos Nacionais e Internacionais do DAM,
Vangelis Rebelo, “a
falta de materiais didáticos, como data show e cadeiras, atrapalha
muito o bom rendimento dos alunos nas aulas, já que a Faculdade tem
apenas quatro salas de aulas, gerando superlotação para atender
mais de 600 acadêmicos”. Além da grade curricular
ultrapassada, os alunos passam por diversos transtornos diante das
condições materiais precárias, a exemplo dos materiais dos
laboratórios sucateados há mais de 10 anos. E, o que é muito grave,
os problemas advindos com o quadro docente efetivo obrigado a
agasalhar a figura contratual do professor substituto.
A acadêmica do 7° período, Renata
Escher, denuncia: “As turmas estão super
lotadas, prejudicando as aulas práticas, portanto, o aprendizado
dos alunos”. A acadêmica não esconde sua indignação.
Fala sobre a ineficiência do restaurante universitário (R.U.), que
deveria vender os tickets para a obtenção do café da manhã às 7h.
No entanto, os vendedores, geralmente, só chegam a partir das
07h30minh. Isto gera atraso nas aulas, contribuindo com a perda de
conteúdo. Para que os alunos possam tomar o café na hora certa, são
obrigados a comprá-lo nas tendas que ficam do lado de fora da
universidade. Neste caso, o custo se eleva bastante. Enquanto o
café na universidade custa R$0,30 (trinta centavos), nas tendas
chega a custar R$3,00 (três reais). Às vezes é valido fazer esse esforço
para não se atrasar nas aulas e não pegar falta, afirmam os
alunos.
Quando a nossa equipe perguntou
sobre o que o Diretório Central dos Estudantes – DCE/UFAM tem
feito para ajudar os acadêmicos da faculdade? Michele afirmou com
segurança: “eles só
vieram aqui pra pedir votos e depois nunca mais
apareceram”. E completa: “O movimento estudantil
está esfacelado”. A nossa equipe tentou entrar em contato com
alguns diretores do DCE, mas não obteve êxito.
Os alunos são os maiores
prejudicados por esses graves problemas. Apesar das dificuldades,
procuram se dedicar aos estudos com muita dedicação, lutando sempre
para que a UFAM facilite a caminhada deles até a completa
formação.
O Governo Federal sabe que sairão
também da UFAM os futuros médicos que trabalharão no Amazonas. Ano
passado, a UFAM aceitou o REUNI, programa de expansão das
Universidades Publicas Federais. Com isto, viria mais investimento.
No entanto, o que se vê é que o curso de Medicina está agonizando
exatamente por falta de investimento. Com a palavra o
MEC.
Já está claro que com esses
problemas a Universidade precisa reduzir o número de alunos na sala
de aula. A UFAM precisa ganhar mais estrutura material e pessoal
para poder receber mais alunos, a fim de que o acadêmico possa
receber mais atenção em suas tarefas discentes. Esses problemas,
uma vez resolvidos, podem resultar na formação de profissionais
mais capacitados, para responder as exigências de uma sociedade
moderna.
Senhor Diretor da Faculdade de
Medicina Dirceu Ferreira, Magnífica Reitora Márcia Perales,
Excelentíssimo Ministro da Educação Fernando Haddad e
Excelentíssimo Presidente da Republica Luiz Inácio Lula da Silva,
entregamos à consideração dos senhores a precária situação porque
passa o Curso de Medicina de uma Universidade Pública Federal que
completou recentemente um século, a UFAM.
Vimos que, em cem anos de
existência, a UFAM está na iminência de perder o Curso de Medicina.
Será que ainda não deu tempo de serem identificados e resolvidos
certos problemas de uma Universidade que se pretende Pública,
Popular, Democrática e Amazônica?
Senhores, aqui se explanam apenas
alguns problemas de um curso, mas nestas entrelinhas está presente
à apreensão de algo grave que poderá ocorrer com a educação e a
saúde de um povo sofrido - o amazonense caso os problemas da UFAM,
que são muitos, não sejam equacionados.
Texto: Tácius Fernandes
Reportagem: Tácius Fernandes e
Williamis Vieira
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